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sábado, 18 de agosto de 2012

A IRRESPONSABILIDADE DOS SUICIDAS

Todos sabem que sempre existiram suicidas, mas parece que, ultimamente, o número deles é maior. Sendo assim, podemos perceber que não há relação entre suicídio e progresso da cultura.

Creio que os suicídios ocorridos no Japão têm motivos bem diferentes dos suicídios ocorridos em outros países. A nosso ver, o que leva os estrangeiros a esse ato extremo é o sofrimento espiritual, mas no Japão parece não ser assim.

Na época do feudalismo, havia motivos espirituais muito nobres para o suicídio. Muitos sacrificavam a vida como expressão de desculpas, como forma de advertência ao senhor feudal ou como prova de inocência. Por essa razão, chegava-se a ter certo respeito pelos suicidas, às vezes levando-se isso ao exagero, como aconteceu no caso do General Nogui (1849-1912), que foi consagrado como ser Divino.

Ultimamente, entretanto, podemos dizer que quase não existem motivos como esses. O estudante e agiota Yamazaki, por exemplo, que se suicidou não faz muito tempo, por um momento fez todo mundo vibrar com o sucesso econômico que obteve através da agiotagem, mas acabou num beco sem saída e, talvez para fugir do sofrimento ou então para se desculpar, não viu outro recurso a não ser o suicídio. Analisando bem, foi um ato de extrema irresponsabilidade. Depois de ter causado grande prejuízo ao próximo, ele fugiu para o Mundo Espiritual sem ao menos pagar um pouco pelo mal que fez. É o cúmulo. Pode-se até dizer que foi um ato condenável. Na verdade, Yamazaki deveria ter feito tudo para viver o mais possível e pagar, ainda que em pequena parte, o prejuízo que causou. Se não o fez, pode até ser chamado de covarde. No caso tão comentado, atualmente, do suicídio de um literato, também não há como fugir da acusação de irresponsabilidade. Talvez ele tenha praticado aquele ato para acabar com o sofrimento causado pela sua própria imoralidade; mas o caso é que sua morte causou muita infelicidade, muitos problemas aos seus familiares e às pessoas de suas relações.

Numa parte da sociedade, existem pessoas que até elogiam esse tipo de suicidas, mas podemos afirmar que elas estão criando um mal, uma espécie de pecado. Como prova, citamos o exemplo do Sr. Hidemitsu Tanaka, que se suicidou há pouco tempo em frente ao túmulo do Sr. Dazai. Talvez ele tenha feito isso pela admiração que este último lhe inspirava. Mas não foi apenas ele. Mais tarde, do mesmo local de onde o Sr. Dazai se jogou - no alto do Rio Tamagawa - dezenas de pessoas se atiraram também, o que nos deixa pasmados. Também podemos citar o caso de Missao Fujimura, que há vários anos se atirou da cascata de Kegon. Ainda hoje muitas pessoas seguem o seu exemplo, o que é uma prova evidente daquilo que estamos dizendo.

A seguir, falarei sobre a intoxicação por meio de drogas como a heroína e a cocaína, uma das principais causas dos suicídios da atualidade. O caso requer uma grande reflexão. É preciso fazer as pessoas entenderem perfeitamente que, embora elas comecem tomando pequenas doses, os narcóticos vão lhes custar a vida, no futuro. Atualmente, as autoridades estão percebendo a gravidade do problema e começaram a fazer proibições, infelizmente tardias.

Aconselho especialmente aos jornalistas que não façam o menor elogio ao suicídio; pelo contrário, frisem categoricamente que ele é um ato da maior irresponsabilidade e covardia. Na verdade, do ponto de vista religioso, não se deve criticar os mortos; mas, como eu estou advertindo sobre o mal representado pelo suicídio com o objetivo de evitar novos suicídios, creio que os espíritos daqueles que praticaram esse gesto também ficarão satisfeitos.

Meishu Sama em 14 de janeiro de 1950.

A INSTRUÇÃO PREMATURA É PREJUDICIAL

Talvez achem paradoxal eu falar que o homem da atualidade desenvolveu sua inteligência, mas prejudicou sua capacidade intelectual. O que eu quero dizer, no entanto, é que aumentaram as pessoas de inteligência limitada, superficial, ágil, e diminuíram as pessoas gabaritadas, dotadas de inteligência profunda.

Mas por que será que isso acontece? Segundo minhas observações, é uma consequência da instrução efetuada antes do tempo apropriado. A instrução prematura é maléfica porque se incutem conhecimentos sem que a mente esteja suficientemente desenvolvida, isto é, há um desequilíbrio entre as noções transmitidas e o desenvolvimento psicofísico. Em verdade, o homem tem que utilizar o corpo e a mente de acordo com sua idade. Dar a uma criança de sete ou oito anos um trabalho mental apropriado a um jovem de quinze ou dezesseis é uma tarefa excessivamente pesada. Qual será o resultado disso? Vou mostrá-lo através de um exemplo.

Quando eu estava no curso primário (entre sete e onze anos), quis aprender judô, mas disseram-me que antes dos quinze eu não poderia fazê-lo. Como eu perguntasse o motivo, responderam-me que, se a pessoa praticar judô ou qualquer outro esporte inadequadamente, poderá prejudicar seu crescimento e desenvolvimento. Naturalmente eles param por causa do excesso de esforço físico. Da mesma forma, no ensino atual, acha-se que é bom uma criança de doze ou treze anos fazer o que um adulto faz. Realmente, durante algum tempo, a capacidade intelectiva se desenvolve com grande rapidez, e por isso a instrução pode parecer boa, mas não há um desenvolvimento em profundidade, formando-se adultos com capacidade intelectiva inadequada e sem uma lógica profunda.

Na realidade, no Japão também está diminuindo cada vez mais o número de "grandes" políticos. Portanto, os que estão ligados à Educação (EDUCAÇÃO: É um processo de desenvolvimento integral da personalidade) (INSTRUÇÃO: É um processo através do qual se eleva o desenvolvimento do conhecimento) devem pensar bastante sobre esse problema.

Meishu Sama em 2 de julho de 1949.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A ÉPOCA SEMICIVILIZADA E SEMI-SELVAGEM

Talvez todos pensem que a época mais próspera da civilização mundial seja a época contemporânea. Entretanto, quando analisamos bem seu conteúdo, observamos que ela apresenta muitas falhas, como podemos constatar todos os dias através dos jornais, que estão repletos de artigos sobre criminosos e criaturas desventuradas. Analisando com justiça, verificamos que as coisas ruins são muito mais numerosas do que as coisas boas. Há pouco tempo, por exemplo, tivemos um caso de corrupção que se tornou um problema muito sério. Quando as autoridades começaram a investigar, o caso se diversificou tanto que nem podemos imaginar até onde se multiplicará. Portanto, ele também não seria uma pequena parte de um "iceberg"? Aliás, se investigarmos as coisas profundamente, quantas pessoas íntegras encontraremos no mundo político e econômico? Poderíamos arriscar-nos a dizer que nenhuma.

Pensando bem sobre o assunto, existe algo difícil de se entender. Se as pessoas relacionadas ao caso em questão fossem camponeses de instrução primária, ainda seria compreensível. Mas todas elas são pessoas civilizadas, que receberam educação esmerada. Em geral, acredita-se que, quando as pessoas recebem educação apurada, sua mente se desenvolve e elas se tornam criaturas civilizadas, de modo que, assim, os crimes tendem a diminuir. Entretanto, vendo fatos como o que ora se nos apresenta, ficamos desapontados, só podendo dizer que tudo isso é realmente incompreensível. Portanto, como eu disse no título deste artigo, a época em que vivemos é semicivilizada e semi-selvagem, e acho que, analisando a realidade que temos diante dos nossos olhos, ninguém conseguiria fazer o contrário.

Que devemos fazer então? A solução do problema não é absolutamente difícil; pelo contrário, é muito fácil. Como sempre tenho explicado, basta despertar as pessoas da educação materialista que receberam para a educação espiritualista. Em termos mais claros, destruir o pensamento errôneo de que se deve acreditar somente nas coisas que possuem forma e desacreditar daquelas que não a possuem. A única maneira de se conseguir isso é fazer com que seja reconhecida a existência de Deus através do poder da Religião.

Estendendo-se esse entendimento das classes dirigentes a todas as pessoas, corrigir-se-á o conceito errado de que se pode cometer crimes, contanto que eles não cheguem ao conhecimento de terceiros. Assim, não haverá mais criminosos e, consequentemente, formar-se-á um mundo onde impere o bem e a alegria. Parece, no entanto, que ninguém entende um princípio tão simples e claro como este, visto que só se procura controlar o mal por meio de fortes redes e prisões chamadas leis. Isso, porém, é tratar os homens como se fossem animais, não sendo à toa que o método não surte resultados positivos.

Ora, se não se consegue manter a disciplina da sociedade nem mesmo com as malhas da lei, torna-se necessário descobrir onde está a causa do problema. Mas ninguém a percebe. A sociedade continua sendo uma coletividade constituída de seres que são meio-homens e meio-animais. Por esse motivo, está demasiado claro que já não é possível eliminar o caráter animalesco do homem através da educação materialista. O ensino ministrado até hoje, como se pode ver pelos seus resultados, não passa de uma técnica para encobrir esse caráter. Dessa maneira, não podemos sequer imaginar quando se edificará uma sociedade verdadeiramente civilizada. Portanto, para solucionar o problema, é fundamental eliminar as características animalescas da alma do homem. Não há método mais eficiente.

Eis a missão da Religião. Mas é estranho que, quanto mais elevada é a educação que se recebe, mais se despreza a Religião. Por quê? Talvez seja esta a grande falha da civilização. A causa está no caráter animalesco existente no interior dos homens, o qual recusa a Religião. Ou seja, é porque o mal não gosta do bem. Daí podermos dizer que a educação da atualidade forma as "inteligências" do mal. Entretanto, chegou a hora em que tal coisa não mais será permitida, porque surgiu a Igreja Messiânica Mundial, que prova a existência de Deus e consegue fazer com que as pessoas O alcancem. Talvez achem impossível algo tão maravilhoso, mas, na realidade, pode-se conseguir isso sem nenhuma dificuldade. Pelo simples contato com a nossa Igreja, a pessoa obtém a certeza da existência de Deus, através do milagre. A melhor prova do que dizemos são as inúmeras bênçãos maravilhosas manifestadas por ela. Creio que isso representa a manifestação da Grandiosa Providência de Deus, que finalmente corrigirá essa civilização falha, semicivilizada e semi-selvagem, fazendo com que Espírito e Matéria caminhem lado a lado, para a construção do verdadeiro mundo civilizado.

Meishu Sama em 14 de abril de 1954.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

FÉ E RELIGIÃO

É comum as pessoas pensarem que Religião e fé significam a mesma coisa, mas, na verdade, há muitos aspectos em que uma e outra se diferenciam. O provérbio popular "Não importa qual seja a crença, contanto que se creia", é próprio da fé, e não da Religião. O mesmo se pode dizer em relação ao ato de adorar monstruosas esculturas de pedra ou de madeira feitas por selvagens. Por esse motivo, não é de admirar que, atualmente, as pessoas civilizadas não dêem atenção ao tipo de fé em que se adoram ídolos, considerando-o como de baixo nível. Entretanto, não quero dizer que uma religião seja boa pelo simples fato de ser religião. Isso porque há religiões de nível superior, médio e inferior. A que pode realmente salvar a humanidade é a de nível superior.

Parecerá estranho ouvir-se afirmar que entre as religiões existem níveis; o fato é que em todas as coisas há uma hierarquia, e as religiões não fogem à regra. Logicamente, quem dirige a religião de nível mais alto é o Supremo Deus; sendo assim, sua autoridade e virtude são muito elevadas e poderosas. É mais do que óbvio, portanto, que essa religião possua força de salvação própria daquele nível. A melhor prova disso consiste na evidência de inúmeros milagres. Eis por que ocorrem tantos milagres em nossa Igreja. Verifica-se a cura de doenças consideradas incuráveis pela Medicina, evita-se o perigo de desastres, incêndios e outras ocorrências desagradáveis que poderiam ter acontecido às pessoas, etc. Por conseguinte, quanto mais benefícios materiais se manifestam, mais devemos nos conscientizar de que, no centro da Igreja Messiânica Mundial, está presente o Supremo Deus.

Meishu Sama em 20 de abril de 1950.

terça-feira, 31 de julho de 2012

FÉ MESSIÂNICA

Tudo, na vida humana, principalmente a nossa fé, tem de ser versátil ("enten-katsudatsu"), livre e desimpedido ("jiyu-mugue"). "Enten" significa "a roda gira". Se a roda possui arestas, não pode girar. Com muita razão se diz: "Aquela pessoa perdeu as arestas porque sofreu muito."

Entretanto, mais do que possuir arestas, existem pessoas que se assemelham ao "konpeito" (doce cheio de ângulos). Ao invés de rodarem, vivem se enroscando em toda parte. Há outras que sofrem dentro do próprio molde por elas criado, o que é desculpável, quando se limita a elas próprias; mas há quem considere boa ação atormentar o próximo, encurralando-o dentro desse molde.

Os exemplos que citamos são característicos da fé "Shojo" e não se limitam à Religião. A vida dessas pessoas cheira a mofo e causa náuseas.

"Jiyu-mugue" significa "não criar formas, normas e mandamentos" e, por extensão, "ser completamente livre de todas as limitações". Devo lembrar-lhes que não se trata de egocentrismo, e sim, da liberdade que respeita a liberdade alheia.

Sendo "Daijo", a Fé Messiânica difere muito da fé "Shojo", cujos preceitos são tão rigorosos que ela própria não consegue cumpri-los. Eles são cumpridos apenas superficialmente, não na sua essência. Essa duplicidade de ação gera fracasso e, ao mesmo tempo, constitui um mal, porque dá origem à hipocrisia. Assim sendo, as pessoas de fé "Shojo" são aparentemente boas, mas interiormente ruins. Ao contrário, as de fé "Daijo" sentem-se mais livres, alegres, sem necessidade de camuflagem, porque sabem respeitar a liberdade humana; nelas, a hipocrisia não tem lugar. Esta é a verdadeira e grata Fé Messiânica.

Em outras palavras, as pessoas de fé "Shojo" sofrem de mania de grandeza, tornam-se megalomaníacas, porque caem, sem querer, na hipocrisia. Isso as torna insuportáveis e antipáticas. Além disso, elas diminuem-se, ao invés de engrandecer-se. Chamamos de "homem limitado" a esse tipo de pessoa.

Na ocasião de levantar alguma construção, por exemplo, divirjo sempre do operário que se preocupa somente com a beleza exterior. Como isso, de certo modo, causa má impressão, faço-o corrigir as suas falhas. O mesmo se aplica aos homens. Os que procuram ser modestos são sempre mais respeitados, porque parecem mais nobres. Portanto, os que professam a nossa Fé, devem tornar-se alvo de um respeito sincero.

Meishu Sama em 20 de abril de 1949.